Recentemente, a convite da Naná Feller, tive a oportunidade de contar uma história durante um evento muito especial para clientes e amigas da Passalinho.
O que eu não esperava era que esse pedido me levasse a um mergulho tão profundo nas minhas memórias de infância. Precisei até de uma sessão de terapia para elaborar todas as lembranças que afloraram! Mas o resultado dessa jornada me trouxe tanta clareza sobre o propósito da nossa marca que decidi transformar esse relato neste artigo.
O início de tudo: entre retalhos e a confecção da família
Meu avô materno, imigrante libanês que chegou ao Brasil aos 17 anos, teve vários negócios ao longo da vida. O principal deles foi uma fábrica de roupas de bebê no Brás. Após o falecimento dele, minha mãe e minhas tias transformaram a fábrica em uma confecção de moda feminina e montaram uma lojinha em cima de uma padaria perto de onde eu morava.
Quando eu era pequena, minha mãe me levava para a loja e me deixava brincando com os botões, os croquis e os retalhos de tecido. Muitas vezes, essas sobras de material acabavam voltando comigo para casa. E foi assim que, ao longo do tempo, minha mãe começou a guardar botões em uma jarra.
A expectativa por um presente diferente
Quando eu tinha uns 10 anos, meus pais voltaram de uma viagem que fizeram sem os filhos. Minha mãe colocou a mala em cima do balcão da área de serviço e me chamou para ver o que tinha trazido para mim.
Eu estava cheia de expectativa, esperando um brinquedo ou um ursinho de pelúcia novo. Em vez disso, ela me mostrou dois pijamas fofos e empolgada me fez notar os botões em forma de ursinho e de lacinhos. Ela realmente amava botões.
A jarra de botões: o que realmente importa
Quando minha mãe partiu, não tive muita dificuldade em me desfazer da maioria das coisas materiais dela. Roupas, livros, sapatos, objetos de decoração... Poucas coisas encontraram lugar na minha casa, apenas aquelas que realmente tinham valor sentimental.
Mas, por algum motivo que na época eu nem entendi direito, a jarra de botões ficou.
Eu sequer considerei me desfazer daquelas dezenas de botões. Eventualmente, tirei os botões da jarra e os transferi para uma caixa própria que hoje mora, com muito carinho, na minha rouparia.
"Eu aqui com meus botões": O legado de Maria Cristina
Organizando as minhas memórias para o evento da Passalinho, lembrei que, muitos anos atrás, ao fazer o backup do telefone da minha mãe, me deparei com um texto no bloco de notas dela.
Extraí um trecho que me emocionou profundamente e que traduz perfeitamente o espírito da nossa marca. Quero compartilhá-lo com vocês:
"Eu aqui com meus botões
São anos colecionando botões, muitos botões! De vários tamanhos. Alguns são quadrados, outros redondos, até em forma de bichinhos e de carinhas. Os mais exóticos me fazem pensar como é que passavam pelas casas onde moravam.
Alguns dizem que temos de renovar, trocar tudo, jogar coisas fora e assim vai. Eu jogo algumas, mas as histórias sempre ficam. Os botões foram ficando, anos, anos e anos.
Me lembro das roupinhas dos bebês que tive pelos botões que sobraram. Nem preciso olhar as fotos. Aqueles olhinhos fixos em mim enquanto eu abotoava o pagãozinho.
Novos botões hão de vir e com eles lembranças presentes que com o tempo também deixarão saudade. Amo os meus botões, porque amo a vida e todas as marcas criadas por ela."
Maria Cristina Soubihe Alberto
O que os botões têm a ver com a nova coleção da Passalinho?
Eu havia planejado apresentar para as nossas clientes, naquele mesmo evento, uma nova coleção de tricôs da Passalinho. Mas ela atrasou. E o motivo é simples: eu não consigo lançar absolutamente nada pelo qual eu não esteja completamente apaixonada.
Quando as peças chegaram, prontinhas e embaladas, eu percebi que elas não estavam perfeitas. Eu não gostei dos botões que vieram na coleção. O resultado? Tive que mandar trocar, um a um, à mão, mais de mil botões.
Pode parecer um detalhe, mas para mim, é a essência do que fazemos.
Memórias que vestem a nossa essência
Eu acredito que as nossas memórias de infância têm um papel fundamental na nossa formação. Depois desse exercício de voltar ao passado para escrever este relato, ficou muito claro para mim que as minhas memórias têm um papel protagonista em cada peça que criamos aqui.
A Passalinho não é apenas sobre roupas; é sobre o carinho em cada acabamento, sobre as histórias que passam de geração em geração e sobre os detalhes que, assim como os botões em formato de ursinho, ficam marcados para sempre no coração.
E você, também tem alguma memória de infância guardada nos detalhes? Aproveite para conhecer a nossa nova coleção de tricôs da Passalinho, agora com os botões perfeitos, escolhidos a dedo e pregados com todo o afeto que a sua família merece.



1 comentário
Ana Ines
Estou esperando os cardigã !
Estou esperando os cardigã !