Um mergulho nos seus olhos

Hoje meu primeiro filho vomitou. Durante algumas horas, sua dor abdominal e mal estar ditaram o tom da casa: limpar a sujeira no banheiro, dar banho, esquentar a bolsa de água quente, acolher e acalmar, levar pro banheiro de novo, acalmar de novo. Tão grande já com 6 anos, mas tão pequeno ainda com 6 anos.

Foi assim até finalmente ele dormir. Já tem um bom tempo que ele adormece sozinho no quarto totalmente escuro, mas hoje ele dormiu enquanto eu fazia um carinho na sua testa e sobrancelhas com a luz do corredor acesa.

Houve um tempo em que eu tinha pressa pra ele dormir e eu poder fazer minhas coisas. Houve um tempo em que qualquer choro dele eu sabia resolver. Houve um tempo em que ele cabia em um só braço meu, abria um sorriso meigo depois de mamar e eu mergulhava naqueles enormes olhos azuis.

Hoje, completamente sem tempo pra nada e com muita coisa pra resolver, já não tenho mais pressa. Na verdade, queria congelar o tempo. Minha aflição mora na incerteza de que talvez eu não possa mais resolver todos os seus choros com tanta facilidade. A sorte dele é que meu colo cresce na mesma proporção que ele. A minha sorte é que eu ainda posso mergulhar naqueles mesmos enormes olhos azuis.

Deixar um comentário

Este site é protegido por hCaptcha e a Política de privacidade e os Termos de serviço do hCaptcha se aplicam.